Mais alunos poderão ser obrigados a refazer Enem
A presidente do Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, disse hoje, em Fortaleza, que o número de alunos do Colégio Christus obrigados a refazer as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá ser maior do que os 639 matriculados no ensino pré-universitário. A medida também poderá atingir os cerca de 320 matriculados nos cursinhos da própria escola.
'Serão todos os que tiveram acesso pela escola a esse documento', disse a pedagoga, durante encontro com jornalistas no auditório do Banco Central na capital cearense. De acordo com ela, a quantidade será determinada por meio das investigações que estão em curso na Polícia Federal (PF). De acordo com informações do próprio Inep, o custo de aplicação do Enem é de R$ 45 por candidato. Caso as investigações indiquem que a responsabilidade pela antecipação das questões seja do Colégio Christus, ele arcará com as despesas para a reaplicação.
'Em relação a quantos estudantes desta escola fizeram e participaram, enfim, fizeram as apostilas, preencheram os exercícios, isso a Polícia Federal irá fazer a investigação e tirar as conclusões. Nesse sentido, o Inep está aguardando', informou Malvina. A presidente do Inep disse que a PF está agilizando os seus procedimentos. 'Nós estamos confiantes na resolução, na informação o mais rápido possível que a Polícia Federal irá oferecer ao Ministério da Educação', comentou.
Na manhã de hoje, ela participou de uma reunião com o juiz da 1ª Vara Federal, Luís Praxedes Vieira, que está analisando a ação proposta pelo procurador da República no Ceará, Oscar Costa Filho, pedindo anulação do Enem ou das 14 questões supostamente vazadas. Segundo a assessoria de comunicação da Justiça Federal, o juiz só vai se pronunciar amanhã.
De acordo com a Justiça Federal, a diretora de Ensino Básico do Inep, Maria Tereza Barbosa, afirmou, durante a reunião, que houve uma 'falha contingencial'. Malvina, no encontro com jornalistas, afirmou estar confiante de que as 14 questões não serão anuladas. 'Este não é o encaminhamento pedagógico, técnico-científico que o Inep apresenta na peça que hoje entregou à Justiça. E nós estamos confiantes de que os nossos argumentos, sempre pedagógicos, sempre técnicos, prevaleçam'.
Na avaliação dela, não houve vazamento. 'A questão é de ética. Eu falo como educadora, como professora há 42 anos neste País. É preciso que possamos discutir como estamos trabalhando valores éticos nas nossas escolas', afirmou. 'A questão é: que valores as nossas escolas estão desenvolvendo com os nossos alunos?', apontou. 'Não houve vazamento. Alguém pegou dois cadernos de prova, guardou durante um ano e utilizou esse material numa apostila da escola. Portanto, não houve vazamento', insistiu Malvina.
Estudantes da USP organizam protesto a favor da polícia no campus
SÃO PAULO - Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) estão organizando, por meio do Facebook, um protesto a favor da presença da Polícia Militar (PM) no campus. O evento na rede social foi criado por uma estudante de Letras, e até por volta das 17 horas de hoje mais de 500 pessoas já haviam confirmado presença.
O ato está marcado para acontecer amanhã a partir das 17 horas, na Praça do Relógio, no campus Butantã, zona oeste de São Paulo. A manifestação será feita em repúdio aos acontecimentos da semana passada, quando alunos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) foram detidos com maconha, entraram em conflito com a PM e decidiram ocupar a administração do prédio em oposição à presença dos policiais no campus.
Na página do evento no Facebook, lê-se na descrição 'Somos estudantes, somos trabalhadores, somos a maioria. E EXIGIMOS SEGURANÇA! A minoria contra tudo e todos não pode nos impedir de querer o que é nosso de direito! A Cidade Universitária é parte da cidade de São Paulo, e deve ser tratada como tal. Aqui a lei se cumpre, e os fora-da-lei são devidamente punidos!'.
Os estudantes que ocupam a FFLCH, por outro lado, devem fazer ainda hoje uma assembleia geral para decidir até quando continuarão no edifício e organizam um protesto previsto para as 18 horas em frente à reitoria.Manual brasileiro será adotado pela Interpol
Retratado no cinema como paraíso de destino de gangsters dos quatro cantos do Planeta, o Brasil virou o jogo e agora já é considerado grife internacional em matéria de captura de foragidos. O Manual Brasileiro de Investigações de Fugitivos, criado pela Polícia Federal (PF) em 2008, foi adotado pela Interpol como modelo a ser seguido pelo mundo e será lançado amanhã, nas versões em inglês e espanhol, na reunião anual da entidade, em Hanói, capital do Vietnã.Criada na década de 1920 com a missão de promover, mediante cooperação internacional, a investigação e a prisão de fugitivos, a Interpol editou normas, mas nunca havia produzido um manual global para atender aos seus 191 países membros. A primeira versão será destinada a cerca de cem países. A seguir serão tiradas edições em francês e em outras línguas até que todos os membros sejam alcançados, segundo explicou o delegado Jorge Pontes, representante do Brasil na sede da Interpol, em Lion, França.
Desenvolvido desde 2002, o manual da PF fez a média anual de prisões de criminosos fugitivos saltar de 20 para mais de 50 a partir de 2008, quando foi totalmente implementado. Até outubro deste ano, já foram capturados 44 foragidos, contra 51 no ano passado e 58 em 2009. O número de estrangeiros presos no Brasil, desde então, passou a ser maior que o de criminosos brasileiros presos no exterior. O País figura há dois anos na lista Top 10 da Interpol.
Caíram nas grades, no período, alguns dos foragidos mais procurados pela difusão vermelha internacional, como o israelense Elior Noam Hen, condenado à prisão perpétua por torturar crianças em nome da fé, o americano Shalon Weiss, considerado o maior estelionatário do mundo, condenado a 845 anos de prisão e os traficantes colombianos Mery Valência e Juan Carlos Abadia.
Ex-chefe da Interpol no Brasil, o delegado Pontes coordenou a elaboração do manual e caberá a ele fazer, na reunião, uma exposição sobre os avanços nas técnicas de investigação de fugitivos. O diretor-geral da PF, Leandro Daiello, participará do evento. O manual traz técnicas modernas de investigação, identificação biométrica, cruzamento de dados e rastreamento de foragidos da difusão vermelha da Interpol.
O documento define conceitos, dedica um capítulo à identificação de foragidos e traça até os perfis criminológico e psicológico do fugitivo. Detalha os elementos de planejamento de uma investigação e mostra o que evitar numa busca. Enumera as regras básicas para o cerco global, ensina como seguir os rastros do fujão e mostra a melhor tecnologia a serviço do rastreamento.
A versão mundial traz algumas adaptações. Uma chega a ser curiosa. A expressão 'elemento', comum no jargão policial brasileiro, é substituída por outras usuais em inglês e espanhol. 'Agora é a PF que empresta sua doutrina e técnica para o mundo', disse Pontes, satisfeito com o fato de o País ter deixado de ser visto como porto seguro para mafiosos, traficantes e delinquentes do mundo inteiro


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